sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Idéia cansada



Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára. (Mário Quintana)

A CHEFA



São oito horas da manhã, abro a janela e vejo um sol lindo, o céu aberto e sem nuvens. Acho que o dia será perfeito. Pego a bolsa e a chave do carro e sigo o meu caminho: primeiro dia de trabalho.

O emprego não era bem o que eu queria, mas o salário dava para manter as minhas manias, luxos, cigarros, sapatos, happy hours no fim de semana com as amigas. Enfim, era bonzinho!

Primeiro dia. Entrei na sala onde iria trabalhar, me concentrei no ambiente, tudo rústico, envelhecido, mas enfim, era de se esperar de um emprego bonzinho. Pó para todo lado. Estava me preparando para minha rinite atacar novamente. Mas o que mais me intrigou foi aquela figura alta, magra, sisuda, sem classe que me aguardava ansiosamente. Sua mesa ficava no canto da sala, tinha até alguns enfeites: símbolo da feminilidade. Mas no fundo não tinha nada de feminino, era conhecida como A CHEFA.

Depois de conhecer a figura e saber do sonoro nome pelo qual era chamada, tremi. Comecei a dar taquicardia e todas as palavras que tinha ensaiado para falar com ela em meu primeiro dia de trabalho sumiram de minha mente. Tive vontade de ir embora, virar hippie, abandonar os luxos.

Aquela figura me fez perder o chão. Incrível como algumas pessoas tem esse poder de nos tornar seres mais que indefesos. Mas apesar de tudo, segui o meu caminho: a sala da CHEFA.

Entrei e me apresentei, mostrei meu currículo e falei sobre meus conhecimentos e experiências profissionais. Ela não falava nada, nenhuma palavra, apenas me observava, olhava fixamente para minha boca, para as palavras que saíam dela. E eu, tremendo, vivendo o meu primeiro monólogo diante de uma mulher, porque com os homens isso já se tornou rotina, eles não dizem nada enquanto falo ou discuto.

A única reação percebida na CHEFA foi o arquear das sobrancelhas, aquilo me incomodou, o que significava? Estava gostando de mim? Me reprovando? Enfim, fui até o fim com meu monólogo e acho que fechei com chave de ouro, digna de aplausos.

De repente silêncio. A CHEFA pega um papel que estava em seu teclado com um bilhete deixado por mim, o meu primeiro bilhete para ela: anotação de uma ligação recebida alguns minutos antes dela chegar. Era um tal de Rudolf, do Ministério.

Ela fica de pé, e do silêncio fez-se esbravejos. Exatamente, ela começou a esbravejar, disse que aquele bilhete em cima do teclado era inadmissível, como alguém deixa um recado daquela maneira? Não era daquela forma que ela havia ensinado para o empregado anterior. E chamando de minha filha, ela me perguntou se eu tinha um caderno. Eu disse que em casa. Então me pediu que passasse a trazer o caderno para anotar os recados, porque era assim que um funcionário competente trabalhava: com organização. Aquilo dali era um trabalho de “porco” e amassou o papel e jogou no chão.

E naquele momento entendi o porquê do sonoro apelido: A CHEFA.

Saí da sala dela e segui o meu caminho: classificados do jornal do dia – à procura de outro emprego.


Girassol

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Pensar?


"Não há prazer mais complexo que o do pensamento"
Essa frase é atribuida a Jorge Luis Borges Acevedo, escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta argentino mundialmente conhecido por seus contos e histórias curtas

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Fogo a queima-bolha

“O inverso da verdade tem dez mil formas e um campo ilimitado.”
Michel Euquem de Montaigne

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O Cafajeste


Estava no ônibus, por volta das 22 h, quando entrou um homem, magro, por volta dos 31 anos de idade, vestindo uma blusa social amarela, uma calça caqui e calçando um sapato social. Carregava uma pasta marrom e tinha um ar que misturava preocupação e cansaço. Era bancário. Só podia ser bancário. Ele vestia uma roupa padrão, usava uma pasta padrão e tinha uma expressão padrão. Não tinha como ter outro ofício. Após passar a roleta e sentou-se na segunda cadeira da fileira da direita. Pensei: Por que um homem que trabalha com cédulas espera um ônibus às 22h? Deve ser um gerente de uma agência bancária. Um gerente sairia mais tarde da agência. Pensando bem, um gerente teria um carro. Será ... Antes que concluísse o meu pensamento observei que aquele bancário tinha algo diferente: uma mancha de batom vermelho na gola de sua camisa. Seria da namorada? Nunca imaginei um homem que trabalhasse em um banco namorando alguém que usasse um batom vermelho sangue, vermelho sedução, vermelho puta!

Não. A aliança dourada no dedo anular da mão esquerda excluiu essa hipótese. Como havia pensado, um ser com tamanha intimidade com a moeda nacional não namoraria alguém que usasse aquele batom. Certamente aquele batom era de uma amante.

Mas um bancário seria capaz de trair a sua esposa? Fiquei indagando qual seria a profissão dele... Ao chegar em casa, liguei o computador, e procurei imagens de pessoas que trabalhavam em bancos. Definitivamente aquele homem não era um bancário... Era um cafajeste.

Ana Karoline Crispim

21/07/09

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Por que pega-varetas?



O pega-varetas é um jogo de origem oriental e que consiste, segundo o Dicionário Aurélio, em “bastõezinhos de madeira, de osso etc., amontoados e que se devem retirar, num jogo, um a um, sem fazer mexer os outros”. Vence aquele que conseguir o maior número de varetas, ou caso tenha elas valores atribuídos em função de sua cor, aquele que conseguir maior número de pontos.

Observe que o jogo exige estratégia, raciocínio e uma boa dose de criatividade. Assim pretendem ser as postagens desse blog. Com textos criativos, nossa estratégia é que o visitante, após ler as linhas escritas nesse blog, possa observar o seu cotidiano com outros olhos.

Assim como no jogo há regras, nesse blog não é permitido postagens com propagandas, palavras ofensivas e insultos. Os comentários que não atenderem a essa regra serão excluídos.


Pegue sua 'vareta' e divirta-se!